terça-feira, 5 de fevereiro de 2019

Funcionário da Vale alertou sobre risco de barragem de Brumadinho em dissertação de mestrado em 2010

Foto: G1 - Globo
Veio de um funcionário da própria Vale o alerta de que a Barragem 1 de Córrego de Feijão, em Brumadinho , corria risco de liquefação. Foi esse fenômeno que fez a parede da barragem de sólida virar lama e destroçar pessoas e estruturas. A barragem, onde instantes antes andavam veículos, se liquefez. Um fenômeno previsível, associado ao aumento da infiltração de água, e que deveria ser esperado, pois está na lista de maiores problemas desse tipo de barragem, dizem especialistas.


O alerta tem nove anos. A dissertação foi concluída em julho de 2010, no mestrado de Washington Pirete da Silva, orientado pelo professor da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) Romero Cesar Gomes, no curso de engenharia geotécnica. O objetivo era apresentar propostas para reduzir o risco de liquefação. Um fenômeno que, diz Pedro Teixeira Cruz, há 50 anos professor de construção de barragens da Escola Politécnica da USP, é esperado nessas barragens:

- A explicação é a mesma do que ocorreu em Fundão, em Mariana. O mesmo tipo de fenômeno estrutura, que sabidamente acometem essas barragens. Mesmo depois de desativadas continuam perigosas.



A Vale, em nota, diz que a “dissertação citada, concluída em 2010, concluiu que a Barragem I do Córrego do Feijão atendia aos níveis de segurança propostos pela metodologia aplicada”.

- O problema é que essas barragens jamais são seguras. O pessoal das mineradoras repete isso. Mas, Mariana e Brumadinho estão aí para mostrar que não é verdade. São sistemas caóticos, altamente instáveis. A vibração de um trem pode ser o gatilho para a tragédia - afirma Ricardo Fiorotti, especialista em rejeitos e chefe do laboratório de construção civil da UFOP.

Pirete é funcionário da Vale há 22 anos. Diz o estudo: “Os rejeitos dispostos na Barragem I da Mina de Córrego do Feijão constituem materiais que tendem a exibir comportamento contrátil sob cisalhamento e, assim, susceptibilidade potencial a mecanismos de liquefação”. O trabalho indica o deslocamento do eixo para dentro da barragem, o que afeta o nível de liquefação. Esse fenômeno está relacionado ao aumento do volume de água e a seu movimento dentro da barragem.



A liquefação aumenta a pressão interna sobre a parede da barragem, feita do mesmo rejeito, e pode fazê-la romper, como na tragédia de 25 de janeiro. 



Jornal o Globo



Uma forma inovadora e segura de pedir seu áudio!

Uma forma inovadora e segura de pedir seu áudio!
Clique no Banner e entre no site e faça o seu cadastro!