Bahia Farm Show cresce e busca maior cooperação internacional



O Corpo Consular na Bahia (CCB), que reúne consulados locais de 34 países, com o apoio do Governo do Estado da Bahia, através da Secretaria de Turismo (SETUR), da Prefeitura de Luís Eduardo Magalhães e das entidades promotoras da Bahia Farm Show (BFS), como AIBA e APABA, participa nos dias 05, 06 e 07/06 de diversas atividades visando a internacionalização cada vez maior da feira, dos seus participantes e produtos. A missão é Coordenada pela Cônsul Honorária da Grécia e Decana do CCB, Miriam Souza e conta com os Cônsules de 9 países - Finlândia, Argentina, Cuba, Holanda, Uruguai, Suíça, Alemanha, Bélgica e Grécia. Os Cônsules participarão de visitas técnicas, das principais atividades programadas pela feira e, em especial, no 06/06, às 10h30 terão um encontro com a mídia e às 11h encontro com lideranças locais, no auditório do estande da AIBA. Na ocasião, estarão reunidos com os diretores e membros da AIBA e ABAPA para discutir possibilidades de cooperação e planejamento de ações conjuntas.

O Cônsul Honorário da Finlândia na Bahia, Wilson Andrade, também Vice-Decano do Corpo Consular, está participando da Missão e acredita que os Consulados na Bahia podem contribuir muito para as relações comerciais entre o Oeste da Bahia e os países representados, pois sinalizam uma janela de acesso às embaixadas em Brasília, verdadeiros portais de acesso aos exportadores e importadores de produtos, tecnologias e capitais dos diversos países. Segundo Andrade, o Brasil e a Bahia têm baixa taxa de internacionalização, em torno de 12% do seu PIB, enquanto que países que mais rápido se desenvolveram têm taxas acima de 40%. “Há 20 anos, o Brasil e China tinham apenas 1% cada das vendas e compras mundiais. Hoje o Brasil continua com 1%, enquanto que a China ultrapassa os 14%. Ademais as exportações da Bahia e Brasil estão muito concentradas em poucos destinos, poucos produtos e poucos exportadores. É, portanto, urgente neste momento de recuperação da economia, que os produtores e indústrias invistam para acessar o mercado internacional visando exportação, importação, novas tecnologias e investimentos estrangeiros”, analisa.

Segundo Wilson Andrade, que é Presidente da Comissão de Comércio Exterior da Associação Comercial da Bahia (COMEX-ACB) o Oeste da Bahia precisa - e tem possibilidades - de atração de investimentos estrangeiros para implementar a verticalização das suas cadeias produtivas, principalmente de café, algodão, soja, madeira e milho, gerando assim produtos de maior valor agregado, empregos, divisas e rendas adicionais, contribuindo ainda mais para a desconcentração do desenvolvimento da economia baiana.

Setor Florestal

Wilson Andrade que também dirigente da Associação Baiana das Empresas de Base Florestal (ABAF), vai apresentar o setor florestal na palestra “Florestas plantadas: investimento sustentável” que será ministrada às 9h de 06/06, no Auditório Pavilhão Coberto –Sala 2. De acordo com Andrade, existem, no Oeste da Bahia, importantes projetos na área de energia, secagem de grãos e serrarias com uso múltiplo. “E espera-se o forte desenvolvimento de produção de energia a partir da biomassa do eucalipto de maneira a atender a crescente demanda da região, com produção local, a exemplo do que é realizado em outras regiões”, acrescentou. “Precisamos planejar uma melhor combinação entre produção e consumo de madeira plantada. Na Bahia temos áreas com excesso de oferta e outras distantes do consumo. Além disso, a Bahia é líder de produtividade, mas importa ainda 80% da madeira consumira para serraria, moveis, e construção civil”, analisa Andrade.

Em sua palestra, Andrade vai mostrar que o setor de árvores plantadas na Bahia tem características que o fazem destacar diante de outras regiões produtoras. “Uma delas é o fato de continuar crescendo anualmente acima da média de crescimento nacional. Outra característica é o fato de a Bahia, com suas condições edafoclimáticas e pela tecnologia das empresas, contribuir para que o Brasil seja líder mundial em produtividade do eucalipto. Destacamos também o fato da produção em quatro polos distintos no Estado da Bahia (Sul e Extremo Sul, Litoral Norte, Sudoeste e Oeste) o que contribui – e muito – para a desconcentração da produção e da economia. Além disso, nosso setor recebe alavancagem de diferentes segmentos que utilizam madeira plantada em seus processos produtivos: papel e celulose; construção civil; movelaria; partes e peças de madeira; mineração; e energia de biomassa”, adianta Andrade.

Demanda no Oeste – “Estamos consumindo nossos estoques sem a devida reposição e num dado momento a demanda será maior que a oferta. Neste momento, quem tiver madeira para vender poderá vender a um bom preço, e ainda assim corre-se o risco de as empresas consumidoras de madeira serem obrigadas a adquirir madeiras de longas distâncias. Os sistemas Agroflorestais ou (ILPF) Integração Lavoura Pecuária Floresta vêm se mostrando viável para uma região com uma aptidão também para pastagens. A julgar pelo tamanho do rebanho bovino do oeste da Bahia, podemos chegar a uma área aproximada de 500.000ha de pastagens. Se conseguirmos demover os fazendeiros e empresários a destinar parte da sua área de pastagens para projetos florestais, a região teria um maciço florestal com capacidade de absorver a instalação de indústrias de base madeireira sem perder a aptidão da pecuária. As instituições ligadas ao homem do campo e profissionais das áreas de pecuária e floresta têm um desafio de mudar este cenário e mostrar que o plantio de florestas é, sim, uma alternativa viável para suas propriedades, que há linhas de crédito para tal investimento, que há um mercado consumidor e que cada um poderia dispor de uma poupança verde na sua propriedade”, afirma Moisés Pedreira, engenheiro e consultor florestal.

A feira - Em uma área de 144 mil metros quadrados, serão instalados os estandes de 200 expositores que vão exibir cerca de 900 marcas, produtos e serviços durante a 14ª edição do evento, que começa no próximo dia 05/06. A previsão é que durante cinco dias, 75 mil pessoas passem pela Bahia Farm Show para conferir o que há de mais moderno nos segmentos de máquinas e equipamentos agrícolas, insumos, fertilizantes, sementes, irrigação, poços artesianos, aviação agrícola, automóveis, caminhões, dentre outros. O Complexo BFS também possui dois auditórios, campo experimental com pesquisas do setor agrícola, além de área para test drive com exibições e performances do setor automotivo, posto médico, sanitários, área de lazer, bosque de espécies nativas, central de atendimento ao expositor e ao montador e segurança 24 horas. A Bahia Farm Show é organizada pela Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba), com o apoio da Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa), Fundação Bahia, Associação dos Revendedores de Máquinas e Equipamentos Agrícolas do Oeste da Bahia Ltda. (Assomiba) e Prefeitura de Luís Eduardo Magalhães.

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