Pesquisadores e técnicos ambientais discutem segurança hídrica no oeste da Bahia




O uso racional da água é uma preocupação constante da população brasileira. Na Bahia, o tema tem sido amplamente discutido por representantes de vários segmentos da sociedade civil. Às vésperas do Fórum Mundial da Água, o Estado sediou o I Seminário Internacional de Políticas Públicas de Gestão dos Recursos Hídricos, que reuniu pesquisadores brasileiros e norte-americanos para apresentar um estudo que está sendo desenvolvido no oeste baiano, onde se busca quantificar as águas superficiais e subterrâneas da região e propor um modelo de gestão sustentável.
Em paralelo ao evento, técnicos da Aiba, Codevasf, Crea, Sema, Inema e CPRM, além de pesquisadores da Ucsal e das universidades Federal da Bahia, de Viçosa e do Rio de Janeiro se reuniram, na sede da Secretaria de Desenvolvimento Econômico (SDE), em Salvador, para planejar ações que promovam uma maior interação entre diferentes instituições. O debate entre esses atores é fundamental para garantir os múltiplos usos do recurso disponível.

Durante o encontro, o geólogo e professor da Universidade de Nebraska – Lincoln (UNL) –, Troy Gilmore, compartilhou as experiências de gestão de águas subterrâneas do estado norte-americano que registra baixo índice de precipitação, mas que mesmo assim se tornou referência em irrigação com captação de água não superficial.

"No Nebraska temos mapas de mudanças de nível de água do aquífero com base nos valores da década de 1950, quando a irrigação generalizada utilizando águas subterrâneas estava começando. Isso é fundamental porque reconhecemos que a qualidade da água pode ser afetada pelas atividades agrícolas. Por isso, destacamos a criação, na década de 70, dos Distritos de Recursos Naturais (NRDs), que têm sido muito eficazes para o gerenciamento de águas subterrâneas do Estado. Recentemente, as agências passaram por soluções colaborativas, que equilibram as necessidades de múltiplos grupos de interesse e usuários", destaca.

Para o presidente da Aiba, Celestino Zanella, o diálogo entre os diversos segmentos sociais é o primeiro passo de um processo claro e democrático, onde todos falam e são escutados. “A troca de informações é crucial para se desmitificar algumas ideias infundadas e também para vir à tona dados reais e científicos para que tenhamos segurança no uso correto e otimizado da água, evitando desperdício, trazendo como premissa o desenvolvimento econômico atrelado ao desenvolvimento socioambiental”, defende.

A engenheira agrônoma, Glauciana Araújo, membro da equipe técnica da Aiba que acompanha o estudo sobre o potencial hídrico do oeste baiano, ressaltou que a pesquisa partiu de uma demanda dos agricultores e culminou no projeto liderado pela UFV, com o apoio do governo da Bahia, através da Sema, Seagri, SIHS e do Inema. Segundo ela, não está descartada, para as fases seguintes, parcerias com a Agência Nacional de Águas (ANA), CPRM e outras universidades públicas e privadas.

“Considerando a carência de informações e complexidade das pesquisas, podemos dizer que os estudos foram apenas iniciados e que há possibilidade e necessidade de consolidação de novas parcerias com instituições que não estão envolvidas diretamente nesta fase inicial. É importante ressaltar que o envolvimento de produtores rurais, de empresas que desenvolvem estudos geológicos, de solo e águas e de consultorias que dispõem de informações técnicas contribui muito para o avanço dos estudos”, explica.
O professor Gerson Júnior, do Instituto de Geociências da UFRJ, avaliou a reunião como um ponto de convergência entre os vários segmentos sociais interessados na boa gestão dos recursos hídricos do oeste baiano: produtores rurais, organismos e empresas públicas estaduais e federais e academias. “Conseguimos reunir todos os lados interessados em debater esse tema, de maneira a discutirmos os múltiplos usos e a preservação. Essa pesquisa veio na hora certa para termos dados concretos para debater. Neste sentido, foi fundamental a participação do Serviço Geológico Brasileiro, materializada pela rede de monitoramento de recursos hídricos, particularmente das águas subterrâneas, que, aliada ao esforço de outros órgãos como o Inema, permitem a obtenção de informações fundamentais para se atingir o equilíbrio e sustentabilidade no aproveitamento dos recursos”, pontuou.

“Sem dúvida nenhuma, o diferencial desse estudo é que o mesmo está sendo proposto como uma contribuição ampla de todas as instituições e equipes técnicas ligadas à área”, disse o professor Everardo Mantovani, coordenador do estudo, atestando a imparcialidade da pesquisa, que será apresentada no 8º Fórum Mundial da Água, na próxima semana, em Brasília.

Ascom Aiba

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